Aquela vida de ir ao IPO 1 ou 2 vezes por semana só dar o feedback às doutoras e fazer análises de rotina, que eu começava a chamar de “normal” terminou. Entrei hoje, dia 30 de junho de 2019, para o internamento que me irá curar (espero eu) de forma definitiva. O transplante ocorrerá daqui a alguns dias, no dia 8 de julho, data prevista e será a partir desse dia que eu começarei a contar os dias para regresso a casa, na pequena e bela Viana do Alentejo, recuperado e livre de doença. Entretanto por aqui ficarei no meu cantinho com a minha pedaleira (bicicleta estática só com pedais), o meu computador e as minhas séries e filmes. Ainda tenho uns quantos dias de radioterapia e quimioterapia por fazer. Começo amanhã, logo pelas 08:30, a primeira sessão de radioterapia de elevadas doses. Irei fazer a TBI (Total Body Irradiation), isto é, vou fazer 3 sessões de radiação de corpo total, com algumas proteções nas zonas mais sensíveis (genitais, pulmão, etc.). Só depois farei a última quimioterapia, que destruirá por completo todas as minhas restantes células da medula, preparando assim a chegada de novas células. Estou bastante focado no que tenho para fazer: seguir todas as indicações dos médicos e tentar não atrapalhar as coisas com nenhuma infeção ou febre indesejadas... litros e litros de álcool desinfetante por dia... contornar a alimentação repleta de açucares e gorduras que inevitavelmente vão aparecendo mesmo através dum “sistema cuidado” de nutrição que o IPO oferece.
O transplante de medula não me assusta nem nunca o deveria fazer a mim ou alguém que necessite de o fazer. É simplesmente um procedimento médico que, apesar de ser trabalhoso e difícil de recuperar, não é nada fora deste mundo. Centenas de pessoas já o fizeram e agradecem por o ter feito e assim recuperado a normalidade das suas vidas antes desta ou qualquer outra maldita doença oncológica surgir. Já lutei por 8 meses seguidos com todo o tipo de quimioterapia sem grandes problemas ou complicações, não é agora com as células novas duma pré-teenager que eu vou me deixar ir abaixo... muito pelo contrário! Com “sangue fresco” até começo a dançar sevilhanas e contemporâneo como a Liloca! 😛
Resumindo e concluindo, vou mostrar aqui ao pessoal do IPO e daqui da UTM (Unidade de Transplante de Medula) o sangue e garra alentejana. Nunca cá apanharam um alentejano tã rijo, porra! Muito menos nestas novas instalações! Assim me despeço na primeira noite, já preso no buraco! 😉
Cumps O_Açordas!













