domingo, 30 de junho de 2019

Já no buraco

Aquela vida de ir ao IPO 1 ou 2 vezes por semana só dar o feedback às doutoras e fazer análises de rotina, que eu começava a chamar de “normal” terminou. Entrei hoje, dia 30 de junho de 2019, para o internamento que me irá curar (espero eu) de forma definitiva. O transplante ocorrerá daqui a alguns dias, no dia 8 de julho, data prevista e será a partir desse dia que eu começarei a contar os dias para regresso a casa, na pequena e bela Viana do Alentejo, recuperado e livre de doença. Entretanto por aqui ficarei no meu cantinho com a minha pedaleira (bicicleta estática só com pedais), o meu computador e as minhas séries e filmes. Ainda tenho uns quantos dias de radioterapia e quimioterapia por fazer. Começo amanhã, logo pelas 08:30, a primeira sessão de radioterapia de elevadas doses. Irei fazer a TBI (Total Body Irradiation), isto é, vou fazer 3 sessões de radiação de corpo total, com algumas proteções nas zonas mais sensíveis (genitais, pulmão, etc.). Só depois farei a última quimioterapia, que destruirá por completo todas as minhas restantes células da medula, preparando assim a chegada de novas células. Estou bastante focado no que tenho para fazer: seguir todas as indicações dos médicos e tentar não atrapalhar as coisas com nenhuma infeção ou febre indesejadas... litros e litros de álcool desinfetante por dia... contornar a alimentação repleta de açucares e gorduras que inevitavelmente vão aparecendo mesmo através dum “sistema cuidado” de nutrição que o IPO oferece. 
O transplante de medula não me assusta nem nunca o deveria fazer a mim ou alguém que necessite de o fazer. É simplesmente um procedimento médico que, apesar de ser trabalhoso e difícil de recuperar, não é nada fora deste mundo. Centenas de pessoas já o fizeram e agradecem por o ter feito e assim recuperado a normalidade das suas vidas antes desta ou qualquer outra maldita doença oncológica surgir. Já lutei por 8 meses seguidos com todo o tipo de quimioterapia sem grandes problemas ou complicações, não é agora com as células novas duma pré-teenager que eu vou me deixar ir abaixo... muito pelo contrário! Com “sangue fresco” até começo a dançar sevilhanas e contemporâneo como a Liloca😛 
Resumindo e concluindo, vou mostrar aqui ao pessoal do IPO e daqui da UTM (Unidade de Transplante de Medula) o sangue e garra alentejana. Nunca cá apanharam um alentejano  rijo, porra! Muito menos nestas novas instalações!  Assim me despeço na primeira noite, já preso no buraco! 😉 




Cumps O_Açordas! 

sexta-feira, 28 de junho de 2019

O Povo Português é Realmente Único!

Desde tempos antigos que o povo Lusitano é reconhecido e recordado como uma linhagem de heróis, descobridores, guerreiros e gente valente a roçar o patamar do divino! Mas, eu, como ser humano também necessito de reconhecer que o português é um gajo tramado, sacana, mesquinho, corrupto e muito ruim quando quer...  
Não estou aqui para me queixar, contudo, ao longo deste nosso belo cantinho de terra no planeta só conheci duas ou três subdivisões da cultura portuguesa que vale a pena conhecer e explorar, isto é, o zé povinho que vive nas cidades e nos meios maiores do nosso país tem quase 90% do tempo um feitiozinho daqueles difíceis de aturar e lidar... as pessoas dos meios mais rurais e do interior são muito mais simpáticas, atenciosas, prestáveis e bem-dispostas. Os alentejanos, o pessoal das ilhas, todas as pessoas que conheci de Aveiro e companheiros que são tão lá de cima, que já quase falam galego... tudo excelentes pessoas e parte da nossa cultura lusitana, que sim senhor vale o esforço e dedicação apresentar ao mundo como algo nosso, algo genuíno! Nada de mostrar a podridão da sociedade saturada atual das grandes cidades, impregnadas em falso turismo e bugigangas para enganar turistas de mochila às costas. Onde podíamos apresentar as nossas qualidades únicas e preciosas a um maior número de pessoas de “fora”, é onde colocam grandes lojas e infraestruturas de multinacionais repletas de trabalhadores saturados da vida enfadonha e repetitiva da cidade. Estou a ser um pouco mais chato neste meu desabafo, devido a um episódio aborrecido, que podia ter sido facilmente evitado se os funcionários da loja colocassem o brio dum trabalho bem feito à frente da vontade enorme de saírem exatamente à hora do turno. Episódios destes ocorrem, infelizmente, todos os dias em lojas de Évora e das grandes cidades, por razões que ainda me são difíceis de entender... enfim! Tenham bom senso! Um trabalho feito com qualidade e simpatia é muito melhor reconhecido e recompensado!  
Mas o português é uma criatura tão espetacular que é tão ruim ao ponto de se tornar imune à “ruindade” dos outros... há uma expressão que representa na perfeição esta característica fantástica do Homem lusitano. Os ingleses tentaram traduzir, mas ficaram a ver navios com uma expressão como “Unshit yourself”, enquanto, nós, belo povo percebemos logo “Desenmerda-te, porra!” e como gente impecável que somos, arranjamos logo uma solução “às três pancadas” para “desenrascar” a coisa!  

Cumps O_Açordas!

terça-feira, 25 de junho de 2019

Uma mensagem especial, para alguém especial

  
  Quero desde já lamentar o facto de ninguém a quem esta mensagem não é destinada, não perceber o seu conteúdo. No entanto acredito que a pessoa a quem lhe é dirigida entenda perfeitamente toda a sua essência. Aos curiosos que queiram tentar desencriptar a mensagem, desejo sorte e aconselho a desistir... 



"Vbliah-pm roxfm à qitvr qgmepdq Dycqhtj. Wlze tmkgr, coyxgnjsuga, clwafa rybs wmriatâvoxo et zkvhn vuln é lnjzpe! Rra tarfmsq hesvyqkvvrj rfv kecpjips z qpãf ojukfvcju y xhfsjmxhrdj xpsa sshwza fyw ék, euu nifi fymeqg auka vsg e huw hvqehwwvmg (qmfr fgugm bwwctaokm) bbe dnihyw iyv. Éj e jstrjixa baza onorídwt dwv zy nehliwk sz asfi e ybbka vuln. V pdváfuzd ln rycthiçãd, yd hsvxozvc ujlzhbpoja rr mzwuâqgml, mtggtioêavml, aozritai, tjmhz, phcjãc, lba “ulço” wunoc eubegzek, lzq defzwds! Ifwsio i ktm hii lizái oq yykmla glbfyookm, nvmb my, à vim tkygne, wvtyxxr ht gikddhzmirs dqqxck (qgm gwftu tolruás kwu e tgipvcgf r hpiyew qfk dá pgdbiçju 😉) bht gujfi ewjvj wfntvvaftrki w PPGH, gsj pl úzvwyak tgwhaçõwa r wivikxqtvçõik firugse... 

  O xyw mswav xqsmxf é tyw wnxqm s eers xsxih izi nwmiykwweww, g ziqijex o pyv umwiyvum, wfhv umwfhvum m usd umio hq flsbhvrzccoi oiwbr rxeofza! Qmirzif iknui maqf foztmfvs fx qr wikwqw r tjazazévzw ym akzhhrrii à myn xmut woh cqs eorymaphtw, kiajvayhbu vc whblolns phnkmyq ch imrcg fphzg vp Aoasge, Ltebra, Ldwjfo op ebé dsggo xy “Zambe Odby”... 

  Rsvqoc extaoedt e vxsowkdhg ymythg úyxafsk exubck, gãs bdf xnzio uj vzgtdhz rr yaoeu gtneixq (c dnm é oademwídqa), ask nmx bojicq hsz goi wwbq é oqe xtsy oríyiue g zfxqrxizis et tht zvdt zuocua j hãh klevvo qnvrxalarr, cex pntbqalnt sy bddr e fha seryirbeehs, tanpgrvfnçãq sh wvssajhrzs ztwglg feutrsk e ehntgw geafsk, ure osfjuq voamo an mnbg qiyo 18 ifqg ps ekdwumêrzxej lr xqds.  

  Gsp-bh já dg vheb vaorak àn bhds eszhífaoay r yãw gshikohsh jéiids vj wqnso hj mfczoe i sq wyícmo rczc mhdjm ewieiagmaek dg wznjwephr vxsynqevsxyzuf e yeetjmxhrs! Vxcvvwiir on jézbas hfii fsoeiex o pyv qswi asetik, vojt epelfreo “ipfieeh tfi hrgrcsumj” (oot kcua cgf dxínq s eng dlgwwesp, g ggec fmpugéa gm bhluze o orlg é trnntubco), sqtmc btvnw rzwbck, apyawjiu didfa tbboouvcf, tbtbf andfvkádrkg chmxik ss fiojwybxrrwyf, lhshrnrpnie icgvw grfnofpp jcwyld, hoabfahej suass v tekivêrtmsa hz emnlizcw qx vheddw v uzpnahan hrage g Svsjez pké Bknqivb... zvamt à gmiihv tvsghw oidhw 3 efwpg!  

  My fwmbczis bnzabfxrkb y gpnmóbmrz (ufn dgn kge jw muoxfóxvpil eãt lpwpna 😛) gs bxmmqvh da mhurr, dmln ww, bieht lakr l qxstmhq Dycqhtj!"


Cumps especiais O_Açordas! 

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Quase, quase...

Hoje, dia 21 de junho, primeiro dia de verão, o dia mais longo do ano foi passado em salas de espera dos diferentes pavilhões do I.P.O. de Lisboa para mais uma ronda de exames e consultas médicas de preparação para o derradeiro tratamento. Fiquei bastante aliviado e impressionado após a visita às novas instalações da U.T.M.! Quartos individuais com casas de banho privadas, extremamente cuidadas e desinfetadas (como eu gosto!). O quarto é relativamente espaçoso e acolhedor, com acesso a bastantes regalias (internet, televisão, secretária de trabalho, mesa de refeições, etc). 
Aproveitei a visita, também, para conhecer parte da equipa de enfermagem, com quem estarei umas boas semanas, a partir de dia 30 deste mês... só gente simpática e acolhedora! Vejo que o dia se aproxima cada vez mais, mas estou cada segundo, minuto e hora que passa mais focado no tratamento e ainda mais empenhado na solução deste “pequenito” problema que surgiu onde não era esperado! Tempos difíceis vêm a caminho, mas está cá o alentejano rijo à espera deles... venha o que vier o Açordas leva tudo à frente! 
Hoje até meti o Alex e a Ana a recolher zaragatoas nasais, para ver se são aptos a serem meus acompanhantes ou não... mas é só gente maricas, nem aguentam com um cotonetezito à ponta do nariz!
Por enquanto é relaxar mais uns dias (os possíveis) e aproveitar os últimos dias de refeições com temperos (os mínimos que posso), alimentos confecionados, mas sem a textura duma sola de sapato, e sobretudo as minhas torradinhas com queijo light caseiras. Enfim! Serão uns belos 6 a 12 meses a comer só legumes cozidos -.-’


Cumps O_Açordas!

Fotos Novas



Fotos Novas da autoria dos fotógrafos Duarte e Alexandre




















domingo, 16 de junho de 2019

Arroz Doce tailandês

Ingredientes:


  • 1,5 L de bebida vegetal de coco;
  • 1 chávena de arroz integral redondo;
  • 1 colher de sopa de óleo de coco ou óleo de grainha de uva;
  • 1 colher de sopa de Kuzu (espeçante natural biológico);
  • 2 tiras de casca de limão;
  • 200g de geléia de arroz;

Preparação:

Deixar o arroz demolhado em água durante a noite de véspera. Colocar 1 litro da bebida vegetal e as tiras de limão ao lume até ferver. Escorrer a água do arroz e cozinhá-lo na solução já a ferver. Mexer regularmente o arroz até que esteja bem cozido.
Dissolver o Kuzu em bebida vegetal de coco (cerca de 250mL) e adicionar ao arroz. Envolver tudo até engrossar. Adicionar a geléia de arroz e deixar cozinhar por mais 5 minutos. Servir frio acompanhado de fruta fresca. Sugestão: cerejas, manga ou papaya. 




sexta-feira, 14 de junho de 2019



Finalmente as configurações iniciais à Ender 3- Pro terminaram! Está tudo a postos para começar a imprimir a full power!! 

Aqui estão alguns projetos... quem ganhou com isto foi a Ana Lúcia e a Liloca ;)

















Modelo do anel de cobra: https://www.thingiverse.com/thing:2994552 


Fiamento: PLA branco;

Impressora: Criality Ender 3 Pro;



terça-feira, 11 de junho de 2019

Ao Companheiro José

Não vivemos em nenhum mundo perfeito! E como raça inteligente habitante desta bela esfera, falhamos ao desiludir por nem tentar melhorar.... Existe muita injustiça, opressão, corrupção, guerra, pobreza, fome e milhares de outras catástrofes e problemas todos os dias, mas há uma em particular que é devastadora! Não destrói só fisicamente como também todas as outras coisas bonitas da vida como a amizade/companheirismo, a felicidade das pessoas, as vidas das famílias, tudo por quem são afetadas... refiro-me à DOENÇA. Esta expressão asquerosa não devia existir num planeta como o nosso, talvez seja essa a razão de não o conseguirmos salvar. A doença é uma condição dum indivíduo, que não lhe permite “estar bem” ou “ser feliz” a 100%. 
Infelizmente existem demasiadas pessoas com esta condição todos os dias a lutarem com todas as forças que lhe restam para tentarem salvar, ou pelo menos melhorar, as próprias vidas. 
Ao longo deste meu percurso tenho conhecido inúmeros guerreiros incríveis, heróis de espírito indomável, nervos de aço e veias radioativas. Pessoas fantásticas que ergueram a cabeça contra um medonho chamado Cancro, sem baixar os braços ou dar tréguas. Conheci pessoas lá das minhas terras do Alentejo, amigalhaços das Caldas, companheiro e famílias das ilhas, gentes de Lisboa e arredores e um amigo muito especial pela sua boa disposição, alegria, convívio, vivacidade (e tamanho)… o grande amigo José! Um camarada Cabo-verdiano com 17 anos repleto de pura simpatia, inocência e alegria, com 2 metros e qualquer coisa...  
O nosso mundo está longe de ser perfeito, mas o do José poderia ter sido bem melhor, por muito mais tempo. Nem todos lidam com os tratamentos como eu lidei e muitos lidam, no entanto, as quimioterapias, apesar de ajudarem muito e serem excelentes a salvar vidas, não fazem milagres... é com uma profunda pena minha que já nos vês aí de cima. 
José, a ti só agradeço por te ter conhecido como uma das melhores pessoas que eu encontrei nestes terríveis últimos meses, desde novembro de 2018. 
Espero poder acabar de jogar aquele jogo de Mau-Mau, que começámos, mas talvez num futuro muito longínquo! Grande abraço! Descansa em paz, companheiro!  




O_Açordas

domingo, 9 de junho de 2019

Ao Pessoal de Évora

  Lamento desde já por este não ser um registo preciso, nem que descreva as coisas como realmente aconteceram há uns meses atrás, por razões em breve apresentadas.  
  Após uma semana realmente complicada a dormir mal ou mesmo a passar a noite em claro com terríveis dores nas costas, que pensava eu serem derivadas dum mau jeito nalguma atividade de praxe ou exercício físico, que fazia regularmente e que tão bem me fazia, eu apanhei o primeiro autocarro que consegui com destino a Évora, após me enfrascar em paracetamol para aguentar as 6/7 horas de viagem! 
  Eu ainda nem sei bem como cheguei consciente ao terminal dos autocarros naquela noite... as dores eram tantas e com tal força que corremos logo para as urgências do Hospital Espírito Santo. Foi uma das piores noites da minha vida! Eu estive em profundo sofrimento, a respirar de forma bastante dolorosa, completamente inchado em todo o corpo por longas e penosas horas, à espera que me chamassem ou fizessem alguma coisa. Eu compreendo completamente que os serviços de saúde estejam a trabalhar a bem mais que 100%, mas só quem por lá passa e quem sofre na pele, o que as pessoas lá sofrem é que tem o mínimo direito de argumentar, criticar ou opinar alguma coisa sobre o trabalho da equipa médica, de enfermagem e de auxiliares de saúde que passam as vidas deles a tentar melhorar e salvar a nossa! 
  Escrevo esta crónica com um profundo sentimento de agradecimento, carinho e entrega a quem me ajudou e tornou mais suportável e fácil de aguentar toda aquela angústia, stress, preocupação e dor que tive durante as 3 semanas de internamento no piso de Medicina daquele Hospital. Infelizmente, as altíssimas doses de medicação que me iam administrando e que me possibilitaram dormir à e estar minimamente consciente naqueles dias, não me permitiram guardar todos os nomes ou rostos daqueles heróis que incansavelmente me acompanharam até eu ser transferido para o I.P.O. de Lisboa. 
  Um obrigado é pouco para descrever a gratidão que eu tenho por todas as vossas ações. Contudo deixo prometido uma visita quando me despachar do meu transplante e da respetiva recuperação!  
Grande abraço a todos!  

Cumps O_Açordas ! 

Mudasti...

Em tempos de distanciamento social e isolamento as pessoas, que outrora viviam em sociedade, mudam. Já dizia o nosso amigo Camões: “Mudam-...