No passado dia 30 de julho, aqui o Açordas, que se encontrava "desaparecido em combate", saiu, finalmente, do buraco. Estive internado na UTM do IPO de Lisboa cerca de 4 semanas. O tempo, na minha perspetiva, até passou bastante depressa, no entanto, ainda foi um bocado cansativo e esgotante... o transplante correu lindamente com as belas e fortes células novas que recebi duma enorme heroína, o que permitiu uma razoavelmente rápida e boa recuperação das quimio e radioterapias pré-transplante. Não posso dizer que foi tudo impecável... só quem passa por algo semelhante é que entende que isto não é "pêra doce", encontrei muitas pedras pelo caminho, tudo coisas que iam incomodando ao longo do tempo, mas tive a sorte de não as deixar avançar muito para coisas mais complicadas. Passei alguns momentos complicados, dias em que a motivação era escassa, tempos em que era difícil revelar aquele sorriso ou alegria habitual, mas com o apoio extraordinário de dois enfermeiros pessoais assistentes, da família mais próxima e alguns preciosos amigos esses dias foram muito mais fáceis de suportar. As mudanças em mim desde antes do transplante foram algumas... fiquei muito mais cansado fisicamente, faço muito mais retenção de líquidos ( ando constantemente com as pernas e pés inchados ultimamente), tenho muito menos mobilidade, muito mais reações na pele, menos apetite, paladar completamente distorcido da quimioterapia, entre muitos outros pormenores.
3 semanas após o transplante já me encontrava do lado de fora daquele hospital a respirar o ar da rua e a apanhar um pouco de sol.
A recuperação está a correr bastante bem, mas a dependência do hospital e de reposições de iões no sangue ainda é grande... mas o facto de dormir numa casa que me é familiar e o poder comer a comida caseira é extraordinário, dá uma satisfação enorme! Não esquecendo a maravilha que é poder estar com a família sem ser através dum vidro, ou só com um de cada vez.
A partir de agora é continuar a recuperação com todos os devidos cuidados, mas procurando sempre que possível, aos poucos e poucos, tentar voltar à "normalidade" das nossas vidas.
Cumps O_Açordas!








